A palavra é sua: Princípios, repertórios e contextos da narração de histórias na escola

R$5.640,00

Para se pensar em narrativas, é preciso compreender que vivemos em um “mundo narrativo”, isto é, cercados por textos narrativos, sejam eles fictícios, sejam eles reais. Narrar é recontar histórias que surgiram desde as primeiras civilizações, compartilhando experiências, conhecimentos e sabedoria.
Pensando na importância das histórias narradas, especialmente às crianças, que ouvem tais narrativas e podem assimilá-las à sua própria experiência e recontá-las posteriormente, este curso foi devolvido, em parceria com o Boca do Céu, com foco nas Artes da Palavra que vivem nas culturas tradicionais brasileiras, amalgamadas enquanto raízes, transformações históricas, trocas dinâmicas e diversidades expressivas.
A proposta do curso dispõe a interconexão de situações de desafios perceptivos, conceptivos e reflexivos, individuais e grupais, com o propósito de fundamentar e instrumentalizar práticas teórico-poéticas autorais a serem realizadas pelos participantes junto a seus estudantes.
O curso, cuja carga horária total é de 224 horas, é composto por oito módulos remotos, com carga horária de 8 horas cada, e oito encontros presenciais de experiências de contato com a arte narrativa oral, que totalizam 72 horas de duração. O curso prevê ainda dois encontros presenciais ao final de cada semestre para avaliação e apresentações artísticas, além de atividades de formação assíncronas e um trabalho escrito final.
Número máximo de alunos: 30
Número mínimo de alunos: 8

Para quem é este curso?

professores da educação básica, arte/educadores, narradores, artistas, estudantes universitários e interessados em geral

224 horas de
duração

Certificado
Singularidades

60
dias de acesso

Professores reconhecidos

Múltiplas
Linguagens

– Investigar as narrativas em suas contribuições para a quebra de paradigmas eurocêntricos determinantes nos quadros de referências dos educadores brasileiros.
– Inspirar a ressignificação das ações de escuta, estudo e produção de histórias orais e escritas nas escolas.

1 – Módulos on-line

1.1   Tradição oral na escola I

Este módulo pretende focalizar as tradições orais em diálogo com a educação escolar, por intermédio de reflexões e atividades acerca de expressões poéticas da voz, narradores orais e performances. Durante o módulo, serão abordadas diferentes questões que permeiam as tradições orais e a arte de contar histórias, como a arte de narrar e a escola, relações entre vocalidade e escrita, escolha de contos e preparação de performances, linguagens poéticas do contador de histórias de tradição oral e do contador contemporâneo, recursos estéticos, entrecruzamentos da arte de narrar com novas tecnologias e com variadas linguagens – sonoras, musicais, corporais.

1.2 Culturas populares brasileiras

Vamos partir do princípio de que as culturas populares podem ser concebidas, em termos gerais, como um conjunto heteróclito de formas culturais – música, dança, autos dramáticos, poesia, artesanato, ciência sobre saúde, formas rituais, tradições de espiritualidade – que foram criadas, desenvolvidas e preservadas pelas milhares de comunidades do país em momentos históricos distintos.

 

1.3 Narrar para crianças: olhos de ouvinte

Neste módulo, partimos da seguinte perspectiva: ao ouvir uma narrativa, a criança se envolve, ao mesmo tempo, com o rumo dos acontecimentos e com o rumor das palavras. Por isso, a história, em harmonia com a expressão vocal e a gramática dos gestos, se desenvolve num ritmo acolhedor, de forma que o ouvinte possa se agasalhar na arquitetura da trama, construindo as suas imagens e saboreando o mistério, o suspense, o humor, o lirismo, a intertextualidade e os malabarismos verbais.

1.4 Culturas tradicionais no Brasil: afro-brasilidades

A cosmopercepção africana, destacadamente a mitologia, se oferece como reflexão para a aproximação da comunidade com a tradição, com a ciência, a filosofia, com a psicologia moderna e com a vida. Uma importante função da contação de histórias e mitos é inserir o indivíduo tanto emocional quanto intelectualmente nas vivências de sua comunidade, criando diálogos, religando significados presentes no cognitivo e no imaginário do ouvinte.

1.5 Culturas tradicionais no Brasil: Artes verbais indígenas

Vamos abordar os sentidos, significados e potências da palavra e dos atos de fala na perspectiva sociocosmológica dos povos originários do Brasil, a partir do conhecimento etnográfico sobre aspectos éticos, poéticos e espirituais daquilo que se denominou no campo da antropologia como artes verbais indígenas, formas expressivas que se fazem presentes em diferentes escalas da vida comunitária, como os cantos rituais, os diálogos e discursos cerimoniais, as falas de chefe, a narração de histórias, os rumores, os chamados, as oferendas, as rezas, os rezos, entre outros. O módulo está organizado em quatro encontros: 1. Fundamentos etnográficos e poéticos das artes verbais indígenas; 2. A força da palavra nos cantos rituais Guarani-Kaiowá; 3. Ancestralidade e oralidade pela ótica de mulheres indígenas; e 4. Mitologia e poética nos cantos-de-flauta das Iyamaka, as flautas cantoras do povo Haliti.

1.6 Crianças contam e encantam

O módulo visa compartilhar experiências e estratégias lúdicas tendo como base a tradição oral e o teatro no intuito de estimular a criação de um espaço propício à criação e narração de histórias pelas crianças.

1.7 Fundações ibéricas das tradições populares brasileiras

Quando falamos em herança ou influência ibérica nas tradições populares do Brasil, pensamos, primeiramente, em duas nacionalidades, Portugal e Espanha, e nos esquecemos de que o vasto chão da Península Ibérica abrigou diferentes povos ao longo dos séculos e, para além dos mitos de origens e disputas territoriais, forjou-se naquele solo e nas regiões alcançadas pelo processo colonizador um caldo cultural que ora se aproxima, ora se afasta de suas matrizes, revelando contradições e relações de poder ainda não de todo compreendidas. Da poesia popular, incluindo xácaras, romances, canções líricas e narrativas, passando pelos autos, notadamente a Cavalhada, o bumba meu boi e o teatro de bonecos, ainda hoje, o Brasil encena um drama que se tinge, por vezes, de tintas cômicas, inspirando outras artes, sendo a Literatura de Cordel seu maior veículo de difusão, mas não o único. Essa procissão de temas os mais diversos, que, não raro, dialogam com as influências poderosas africanas e indígenas, parece se encaixar no que Ariano Suassuna perspicazmente definiu como um “cortejo de vasta humanidade”.

Os temas que módulo irá abordar são: 1. O ciclo do boi na poesia popular (O conto do vaqueiro que não mentia e o auto do bumba meu boi); 2. Os livros do povo em Portugal e no Brasil; 3. Contos heroicos na tradição oral e no cordel; 4. Romances velhos e romances trágicos; 5. Deu o tangolomango? – Resistência cultural em tempos de diluição.

1.8 O fio das histórias

Intercalando histórias e discussões temáticas, Warley Goulart irá compartilhar sua metodologia de transposição das narrativas orais para o âmbito da artesania, bem como apresentará obras do acervo particular de seu grupo. Os participantes passarão por uma série de dinâmicas que envolvem as práticas narrativas, análise estrutural e espacial dos contos, noções de storyboard, introdução de elementos visuais na performance do contador, questões sobre infância e cultura, intersecções entre texto e têxtil, geografia dos contos e suas representações têxteis, diálogo entre narração oral e animação de formas, e criação de recursos visuais para se contar histórias.

 

2 – Experiências de contato (presencial) 

2.1 Abordagem teórico-poética da Arte Narrativa na Escola

Durante encontros presenciais ao longo dos dois semestres letivos do curso, serão propostas questões e experiências que envolvem a reflexão e a prática narrativa oral e escrita dos educadores e dos alunos, a partir de um quadro de referências teóricas e metodológicas que tem como um dos seus principais fundamentos a Abordagem Triangular para o Ensino e Aprendizagem da Arte formulada por Ana Mae Barbosa.

2.2 Tradição oral na escola II: uma experiência com oficinas de narração de histórias no Ensino Fundamental

A partir do relato e da experimentação com algumas possibilidades de apreciação e estudo de contos em sala de aula e de sua interface com a diversidade de elementos como cantos, versos, brincadeiras e jogos da tradição oral, analisaremos e discutiremos a pesquisa e os próprios contos como base para a autoria de novas formulações.

2.3 O brinquedo palavra na cultura da infância

A Cultura da Infância corresponde ao universo dos brinquedos e brincadeiras que acompanham a criança em todo o seu processo de desenvolvimento e traz na sua essência os gestos, a poesia, as histórias e a música de cada lugar. Seu repertório é composto pela palavra aliada ao gesto. Movimento e desafio são a tônica, e o corpo traduz a capacidade da criança de experimentar, inventar, arriscar e se expressar livremente. Da mesma forma que brinca com o corpo e o desafia na expectativa de atingir seus limites, o faz com as palavras. A riqueza da língua materna, a musicalidade da voz falada, a rima, a métrica, a poesia, a criatividade e inventividade das crianças, compõem a diversidade do repertório, que traz o cotidiano como mote principal.

2.4 As vozes dentro da gente Uma costura entre o cantar e o contar

Nossa voz é única, é uma impressão digital sonora. É uma das nossas formas de existirmos, uma nuance da nossa personalidade. A voz e a psique estão intimamente conectadas. Como fala Linda Wise, uma grande pesquisadora da expressão vocal, a “voz é o músculo da alma”. Cada um de nós, através de componentes genéticos, questões culturais, da história de vida, da forma que lidamos com nossas emoções, desejos e aprendizados, modela sua voz de uma forma diferente. E, muitas vezes, por algum bloqueio, não permitimos que essa expressão natural seja revelada por inteiro. Abrir nossa voz é dar espaço para a manifestação da nossa ancestralidade mais profunda, cantar é promover uma revolução, uma dança dentro de você. Nesse trabalho, o intuito é despertar a voz que nos habita de maneira acolhedora, através de noções básicas de técnica vocal e da anatomia do aparelho fonador, da escuta de relatos, do resgate de memórias musicais e narradas, exercícios de respiração e ritmo, jogos de improvisação simples, audição de sotaques da tradição oral em canções e narrativas, dinâmicas de escuta interna e interpretação, que desbloqueiam nossa voz natural. Tudo de maneira que o participante se sinta à vontade para buscar, de acordo com seu ritmo e dentro de seus limites, um material vocal ainda não descoberto que vai fazê-lo entrar em contato com novas possibilidades vocais, sejam elas faladas ou cantadas.

2.5 Literatura de ficção e poesia, formas literárias populares e escola

A ideia geral do encontro é discutir, de forma breve, as chamadas “narrativas míticas arcaicas”, seu papel no seio de suas respectivas culturas e alguns temas míticos recorrentes que podem ser considerados “arquétipos literários”. Dois pontos relevantes: 1) os possíveis elos entre as narrativas míticas e a literatura de ficção; e 2) o próprio recurso da ficção e sua imensa importância humana e cultural. Serão apresentadas algumas características do que poderíamos chamar um “modelo de consciência popular e tradicional” e seu discurso marcado pela oralidade. O pano de fundo da matéria apresentada pode ser descrito, em resumo, como uma reflexão sobre a literatura de ficção e poesia e algumas de suas principais características e recursos.

2.6 Ler e escrever – diferentes nomes do verbo criar

A proposta do encontro é refletir sobre como o trabalho com os contos de tradição oral pode contribuir no processo de produção de histórias por parte de crianças em fase inicial de alfabetização. A partir do relato de experiência da docente em classes de alfabetização, pretende-se abrir caminhos que proporcionem aos participantes do curso vislumbrar a possibilidade de tornar mais poética e singular a experiência de trabalho com as histórias em salas de aula.

2.7 Brinquedos do chão: a natureza, o imaginário e o brincar

O elemento terra, sua força elementar, tem uma semântica própria, uma maneira peculiar de comunicar verdades profundas para as crianças, seus corpos e seus modos de sonhar. Há um diálogo da imaginação da criança com a vida telúrica. De tal diálogo, configuram-se narrativas específicas que atuam no mundo simbólico da criança. Como podemos identificar esses elementos narrativos? Quais referenciais de pesquisa nos levam a observar o fenômeno da brincadeira como fenômeno da alma?

2.8 Pesquisa de repertórios: o caso do rapto da noite

Tendo a pesquisa sobre o conto do surgimento da noite como disparador, discutiremos algumas ferramentas de busca e fontes dos contos orais brasileiros como estratégias de estudo e preparação tanto para narração oral como para conhecê-los e fortalecer o trabalho com esses contos e os processos de ensino aprendizagem que geram em sala de aula.

 

3 – Encerramento do semestre (presencial) 

1ª semana de julho/2022

Encontro 1 (sábado): Processos de avaliação do semestre

Encontro 2 (domingo): Preparação e apresentações artísticas

Carga horária: 16h

1ª semana de dezembro/2022

Encontro 1 (sábado): Processos de avaliação do semestre

Encontro 2 (domingo): Preparação e apresentações artísticas

Carga horária: 16h

 

4 – Atividades assíncronas programadas

Observação de narrações: 1h/mês

Pesquisa de repertórios: 2h/mês

Leituras e fichamentos: 2h/mês

Duplas semanais: 2h/semana

Trabalho final escrito

Carga horária total (atividades assíncronas): 56h

 R$ 5.640,00 (12x  de R$ 470,00)

1 – Módulos (online): quarta-feira, das 19h às 21h

Datas: 9, 16, 23 e 30 de março de 2022; 6, 13, 20 e 27 de abril de 2022; 4, 11, 18 e 25 de maio de 2022; 1, 8, 22 e 29 de junho de 2022; 3, 10, 17, 24 e 31 de agosto de 2022; 14, 21 e 28 de setembro de 2022; 5, 19 e 26 de outubro de 2022; 9, 16, 23 e 30 de novembro de 2022; 7 de dezembro de 2022.

2 – Encontros presenciais – experiências de contato com a arte narrativa oral: sábados, das 9h às 17h

Datas: 5 e 6 de março de 2022; 9 de abril de 2022; 14 de maio de 2022; 11 de junho de 2022; 13 de agosto de 2022; 17 de setembro de 2022; 8 de outubro de 2022; 19 de novembro de 2022.

3 – Encerramento de semestre – avaliação e apresentações artísticas: sábado e domingo, das 9h às 17h

Datas: 2 e 3 de julho de 2022; 3 e 4 de dezembro de 2022

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Tempo de Curso

224h

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